12.4.06

"Reinventar a Universidade"

Com um contributo para pensar a Universidade e a vida universitária, da autoria de Óscar F. Gonçalves, Professor Catedrático do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, abre-se neste blogue uma nova etapa. Consiste ela no debate participado sobre a Universidade de que fazemos parte.
Novos contributos certamente surgirão, e daqui incentivamos todos a, desde já, enviarem as suas reflexões, análises e propostas sobre a Universidade que queremos. É esse um dos objectivos desta candidatura à Reitoria da UM.
Óscar Gonçalves sublinha, no seu texto, quatro ideias essenciais, que constituem, do seu ponto de vista, outros tantos eixos da Universidade a reinventar:

  • o conceito de compartimentação terá que ser substituído pelo de transversalidade;
  • o pilar da hierarquização terá que dar lugar ao da horizontalidade;
  • a camisa-de-forças de um protótipo de universitário terá que ser substituída pela assunção da multiplicidade, isto é, o reconhecimento de que há vários modos de estar na academia e de que é desta diversidade que se enriquece o serviço académico.
  • a clausura provinciana terá que ser substituída pela mobilidade.
"Preocupa-me - observa, a dado passo, o catedrático de Psicologia - que grande parte da discussão que se gera em torno da necessidade de uma reforma universitária, aliás unanimemente reconhecida, se prenda com questões meramente acessórias ou mesmo circunstanciais. A transformação da universidade impõe a necessidade de construir para as raízes da sua fundamentação uma nova linguagem de modo a proporcionar aquilo que Rorty definiu como a reinvenção de uma nova utopia capaz de materializar no espaço universitário o ideário da liberdade, igualdade e fraternidade. Um novo vocabulário que assegure à universidade a sua condição de espaço livre para a criação do conhecimento e construção social".

Para ler o texto completo, clicar AQUI.

5 Comments:

At 12/04/06, 20:41, Anonymous Anónimo said...

1. Quem aqui se identifica é, ou catedrático, ou aluno. O resto do pessoal não assina porque, obviamente, tem medo.Como eu.
1.1. O que é uma universidade do medo? Algo contra-natura.
2. O ambiente que se vive na UM é deprimente: exceptuando talvez os catedráticos, por vezes tidos por inimputáveis, parece que estamos todos a mais, sujeitos a "ratios" que fluctuam de acordo com o mês ou a estação do ano, mas cuja lógica matemática ninguém parece conhecer.Quanto à lógica política, ela é óbvia: serve para nos encostar à parede, agradecendo a todos os santos o facto de ainda não termos sido postos na rua.
3. Um dia, gostava de viver numa universidade em que o medo não dominasse e eu pudesse ter de facto liberdade de expressão. E gostava também de poder votar nas eleições para reitor: uma pessoa, um voto.Usem "pesos específicos" razoáveis, mas mudem este sistema. Se posso votar para a escolha do Presidente de uma Escola, por que não hei-de poder votar nas eleições para Reitor?
4. No medo desenvolvem-se marionetes e hipócritas, não verdadeiros académicos.
5. O medo e o autoritarismno têm um poderoso efeito de contaminação. Numa "cultura" autoritária, quase todos acabam a querer mandar em alguém. Ao menos o regime militar é mais claro. E não se tem de cumprimentar ninguém de mão - basta "bater a pala".Mais higiénico, muito menos hipócrita.

 
At 13/04/06, 19:01, Anonymous Maria da Penha Campos Fernandes said...

A candidatura do Professor Doutor Moisés Lemos a Reitor da Universidade do Minho tem o mérito de abrir o debate em torno do modelo político e científico de universidade num momento em que as chamadas ciências sociais e humanas - que sociais também o são, como, aliás, com diferenças de graus, as demais ciências - tendem a sucumbir ante um surto economicista de tecnologia e pragmatismo desenfreado, o mais das vezes avesso à complexidade de um criticismo que não se deixe reduzir à polaridade das dicotomias fáceis (Benfica versus Sporting), em suas diversas versões - seja a económica (rentável/não rentável); seja a política (os nossos/ os vossos); seja esta ou seja aquela, todas de algum modo confluindo contraditoriamente com a mais mítica e essencialista, a mais angélica,que é a do Bem contra o Mal.
Se a reflexão e o juízo falham mesmo quando são as melhores as intenções, é certo que a vida social, que inclui a académica, não é um jogo de futebol nem tem a leitura do resultado garantida pela iluminação do ecrã. As utopias têm que, por isso, ouvir os sons da terra, o que quer dizer que devem ter objectivos práticos e devem estar vacinadas tanto contra o devaneio das intenções radicais, como contra o comodismo das interpretações redutoras.
O excelente texto do Professor Doutor Òscar Gonçalves assenta num nítido quadro de dicotomias e valores, constituindo o primeiro dos termos a meta eufórica a atingir: 1ª)transversalidade/compartimentação;
2ª)horizontalidade/ hierarquia;
3ª)multiplicidade/ prototipicidade;
4ª)mobilidade/ provincialismo
(em outros termos, abertura/ clausura).
Não se pretende aqui realizar a análise destes pares, mas há que os problematizar e relativizar para não confundir o leitor com um excesso de clareza que não se compraz com a força estrutural da realidade universitária do presente.
Metas são metas, às vezes nem é possivel chegar ao meio do percurso, mas o que se faz já é muito bom. O que importa verdadeiramente é o processo, é a actuação deliberada, é não perder a esperança de aperfeiçoar o mundo.
Mais crucial que investir, por exemplo, contra as hierarquias numa campanha eleitoral para Reitor, o cargo mais altissonante numa academia, é investir na formação de uma mentalidade que defenda o uso do poder como um serviço público em prol de uma comunidade de comunidades, nas quais o exercício da palavra possa atender o mais possível à dignificacação humana na vivência em comum. E não apenas ao bem político de alguns.

 
At 14/04/06, 17:43, Anonymous Anónimo said...

Caro Professor Óscar Gonçalves,

É muito interessante a sua reflexão, sem dúvida. Uma síntese de ideias várias sobre a superior condição em que o espírito humano realiza plenamente o seu potencial de criação, seja o aluno na aprendizagem, seja o investigador na produção científica.
Mas, como é seu timbre, você detém-se na estratosfera do debate. Sobre actos e factos concretos, sobre a conduta de pessoas responsáveis, sobre o estado concreto da UM neste momento, nem uma palavra. «Atravessar-se» na defesa de caminhos e soluções concretas que sejam a expressão da coerência da sua conduta académica com as ideias que defende, isso não faz.
Não chega sequer a dizer «Apoio a candidatura do Professor Moisés Martins a Reitor da UM». Você não se compromete com essas coisas menores. Coloca-se antes no plano de um etério estado ideal, ao qual você já pertence, apesar da nossa pobre UM, sem se dar conta de que esse estado ideal é para o comum dos mortais uma miragem que nada diz às necessidades ?terrenas? do aqui e agora. Nenhum povo se detém na filosofia quando tem fome.
Fez o seu exercício de intelectual brilhante. Está feito! Mas é pouco. Sem o compromisso de quem passa do pensamento à acção, disponibilizando-se a ?sujar as mãos? na realidade concreta para a transformar, não haveria a candidatura de Moisés Martins.

P.S.: Eu sou mais um anónimo. É que eu tenho família e não tenho o direito de fazer os meus filhos pagarem o preço de me dar ao luxo de ser livre. Está cada vez mais difícil a vida dos jovens e o trabalho precário dos pais carrega nuvens mais pesadas no seu horizonte.

 
At 15/04/06, 01:54, Anonymous Anónimo said...

O texto de Óscar Gonçalves é brilhante.
Gostava de recordar o autor, igualmente brilhante, quando, na prática, idos uns dez anos, se demonstrou tão contraditório com o que hoje nos diz!
Estas mentes brilham, particularmente quando escrevem, mas apagam-se quando precisam de agir. Nessas alturas tornam-se ténues, demasiado ténues, para serem apelidadas de "pensantes". Como alguém dizia, a diferença entre a teoria e a prática é maior na prática do que na teoria...
Por que se hão-de respeitar e acreditar nas palavras de intlectuais brilhantes, quando os seus autores são exímios em execuções que as contradizem? Será que a erudição se perde quando é necessário lidar com pessoas e passar da palavra à prática?

P.S. Também sou um elemento anónimo. É que, neste caso, até já tive a sorte de não compartilhar o mesmo ambiente.

 
At 15/04/06, 02:52, Anonymous Anónimo said...

O anónimo anterior deu conta de uma gralha: falta um "e" em "intelectuais"

 

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