3.5.06

"Chamar as coisas pelos Nomes"
- um contributo do Prof. J. A. Oliveira Rocha

"Tem-se afirmado que o saldo positivo desta Reitoria é a gestão administrativa. Esta afirmação tem que ser enquadrada e o seu conteúdo examinado com rigor do ponto de vista da gestão das organizações. Está demonstrado, desde meados do século XX, que a burocratização de uma organização ao serviço de uma lógica de eficiência administrativa tem consequências negativas no ponto de vista da produtividade, mesmo numa empresa de exploração mineira (Alvin Gouldner, 1954). Seria fácil demonstrar mais uma vez isto mesmo nesta universidade; e se continuamos a ter altos standards, isso deve-se à qualidade, à ética e à deontologia dos docentes e funcionários".
A afirmação é de J. A. Oliveira Rocha, professor catedrático de Gestão Pública e Políticas Públicas na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, num texto intitulado "Chamar as coisas pelos Nomes", que acaba de redigir como contributo para o momento de debate que a Universidade vive e que esta Candidatura deseja ver ampliado.
Acentua ainda o Prof. Oliveira Rocha, a propósito do "modelo matricial" da UM, que "ou a estrutura da universidade é objecto de uma reengenharia profunda, mantendo o Conselho Académico, mas discutindo o seu papel, o aumento de competências das Escolas, a articulação entre as unidades de ensino e de investigação e a administração, salvando-se alguns dos aspectos do modelo matricial, ou se faz simplesmente o funeral deste modelo, entregando-se o poder às Escolas e transformando o Senado em verdadeiro órgão de governo".
Do seu ponto de vista, "toda a política para o ensino superior ignora pura e simplesmente a especificidade do modelo matricial, tendo sido a Universidade do Minho sistematicamente prejudicada, quer no financiamento, quer na avaliação. Os avaliadores externos não percebem como funciona, quem tem a responsabilidade, como se decide, e quais são os custos de cada aluno. Em conclusão, o modelo estatutário da universidade é hoje um fardo que a prejudica e prejudica o seu desenvolvimento e a estratégia das suas escolas. É urgente que o debate sobre a estrutura da Universidade se faça, no sentido de uma reengenharia, possibilitando a aumento das competências das Escolas, a articulação entre as unidades de ensino e de investigação e a administração, maior rapidez nos processos de decisão".

(Para ler o texto na íntegra, clicar AQUI)

11 Comments:

At 03/05/06, 21:21, Anonymous Anónimo said...

Texto muito interessante e oportuno, que torna claro quanto é uma necessidade vital (re)pensar a nossa universidade. E que mostra também, como tem estado patente, que é nesta candidatura que está essa capacidade de reflectir e promover e reflexão. Diz o Professor Oliveira Rocha que ?As Escolas, de facto, desapareceram. Existe a Reitoria, o orçamento elaborado não se sabe com base em que critérios, e a máquina administrativa de controlo.??Muito bem visto!
Interessante notar que é um estudo da Universidade de Aveiro que vem chamar a atenção para as nefastas consequências de aspectos da política da actual equipa reitoral na UM.
A universidade é uma instituição científica onde, como bem mostra este texto, a motivação e o nível de satisfação pessoal de quem nela trabalha têm uma importância fulcral. Estando muito patentes, no debate que esta candidatura desencadeou, temas como o autoritarismo, o medo, o controlo, etc. vale a pena citar Bhom e Peat:

«Em boa verdade, esta análise da comunicação tem de ser levada à estrutura global das relações humanas. Por exemplo, o medo e a desconfiança podem ser gerados por linhas rígidas de autoridade, falta de segurança laboral e ansiedade (...). Todos estes factores contribuem para afogar os sentimentos de confiança mútua, boa vontade e amizade, tão necessários para a livre fruição e troca aberta de ideias» (Bohm & Peat, 1989: 96).

BOHM, D. & PEAT, D. (1989).Ciência, Ordem e Criatividade, Lisboa: Gradiva.

 
At 03/05/06, 22:24, Anonymous Anónimo said...

É como quem dá perolas a porcos...Não vão lá...´não querem perceber o obvio...Mentes muito pouco brilhantes...A solução é sairem de lá...

 
At 03/05/06, 23:54, Anonymous Anónimo said...

Continua a história do medo e da desconfiança. Começa mesmo a faltar assunto...

 
At 04/05/06, 21:31, Anonymous Anónimo said...

É pena que se tenha de falar tanto no assunto. Contudo este não deixa de ser importante por se falar nêle. Interessante seria que tal não fosse assunto. Infelizmente assim não acontece.

Só alguém que ainda não viu a importância de tal tema se poderá considerar cançado.

VCP

 
At 08/05/06, 00:33, Anonymous Anónimo said...

Desde o anúncio da candidatura do Professor Moisés Martins e da correspondente iniciativa da abertura dum espaço permitindo a livre expressão da academia, tornaram-se evidentes algumas realidades, já por todos pressentidas ou intuídas, mas agora claramente evidenciadas.
Decorridos mais de trinta anos desde a criação desta Universidade, diferentes personalidades assumiram já o cargo de Reitor, imprimindo um cunho próprio à gestão da universidade e às suas principais linhas de actuação.
Dessas personalidades, umas foram mais estimadas ou consideradas do que outras, o rumo traçado foi melhor ou pior aceite, a consolidação ou expansão da Universidade do Minho foi de diferente intensidade. No entanto, houve sempre um traço comum que a todos uniu ? o Reitor era um ?símbolo? da Universidade, a representação exterior da instituição e uma figura que merecia o respeito da academia.
Porém, pode-se hoje afirmar convictamente que essa realidade se alterou. Nos últimos quatro anos, a sucessão de diferentes episódios, só aparentemente estanques, abalaram profundamente a credibilidade que o cargo exige.
O abandono de ilustres catedráticos da Reitoria e da Vice-Presidência dum órgão de governo, antes entusiastas apoiantes (da forma mais discreta e encapotada ou assumindo claramente a falta de comunicação e de partilha de decisões estruturantes) ? situação esta inédita na história da Universidade do Minho e da Reitoria onde sempre se procurou gerar consensos e coesão ao nível dos mais altos dirigentes.
O lamentável tratamento dado a um professor universitário (então responsável por um Serviço que sem qualquer estudo prospectivo se havia decidido extinguir) confrontado primeiro com uma situação de facto consumado e sem aviso prévio, depois ameaçado por legitimamente se insurgir contra tal actuação.
A extinção do ?UM jornal?; a razia na Rádio Universitária com posterior colocação na direcção de elementos indefectíveis da Reitoria; o ambiente de puro terror e intimidação nos SASUM; a instalação e o funcionamento de sistemas de controle de assiduidade dos funcionários e de câmaras de vigilância, sem autorização legal, circunstâncias que tiveram até ?honras? de notícias televisivas?
Enfim, dum modo geral, embora ainda de maior gravidade, a forma insidiosa como se instalou o medo entre funcionários e docentes; o tratamento como proscritos de quem ousou emitir opinião própria.
Situações estas decorrentes duma trajectória cega, previamente definida, sem hesitação em atropelar tudo e todos, num exercício de egocentrismo e dum despotismo pretensamente iluminado.
Desconhecedor dos meandros do alto governo da Universidade, bem como das regras elementares da boa gestão administrativa e incapaz de assumir e suprir essas deficiências, a opção seguida, para camuflar tal incapacidade, foi a de se rodear por elementos unanimemente considerados como impreparados e medíocres, colocados na chefia de todos os serviços estruturantes designadamente da Reitoria. Estes, ciosos de preservação dos cargos e regalias, sem os quais não têm existência própria são incapazes de qualquer iniciativa e indiferentes a um empenho institucional.
Em resultado disto, atingimos níveis insuportáveis de corporativismos e ineficácia na gestão dos serviços (que apenas sobrevivem graças ao saber adquirido dos funcionários a eles afectos). Desviando-se a atenção do mau funcionamento dos Serviços, coloca-se o acento tónico na avaliação do desempenho dos funcionários, sujeitos a uma total arbitrariedade por parte dos avaliadores, sem quaisquer critérios objectivos e homogéneos de apreciação. Incompreensivelmente, a U.M. não tem definidos os seus objectivos estratégicos, conforme legalmente determinado, nem, ao que parece o Plano de Actividades da Universidade.
Alheios de todas as teorias da modernização dos Serviços Públicos, através de simplificação e racionalização de serviços e recursos, vem-se assistindo a uma pulverização de nomeações de chefias e dirigentes, contrariando todas as tendências da gestão da Administração Pública. A actual orgânica da Universidade do Minho surge assim como despesista e inconsequente, não se vislumbrando qualquer razão lógica para, por exemplo, Serviços como os ?Recursos Humanos? ou os ?Serviços Financeiros? não estarem dotados de um único lugar de Chefe de Divisão (aliás, aqueles não dispõem de um único técnico superior, para além do Director de Serviços!), enquanto os Serviços Técnicos têm três Chefias de Divisão; ainda mais estranha é a situação do G.S.I., que além de um lugar de Director, tem também providos dois lugares de Chefe de Divisão, sendo este serviço, por comparação com a respectiva dimensão, o serviço mais oneroso da Universidade.
Quanto à gestão económica e financeira, esta Universidade é quase uma anedota no panorama das Universidades portuguesas. Não dispõe de um Administrador, nem de nenhum órgão de fiscalização. A designação pelo Senado de um fiscal único, de entre revisores oficiais de contas ou sociedades de revisores oficiais de contas, para acompanhar e controlar a execução orçamental e a situação económica, financeira, patrimonial e analisar a contabilidade é hoje uma prática comum às Instituições do Ensino Superior. Parada no tempo e para contemporanizar com a ineficácia dos Serviços, a Universidade do Minho continua presa ao mecanismo das ?auditorias externas?, entregue a empresas convenientemente pagas pela própria Universidade. Por outro lado, é constrangedora a incapacidade de prever os efeitos dos cortes e cativações orçamentais, estabelecendo medidas prospectivas que permitam contrariar ou minimizar os efeitos negativos do decréscimo orçamental.
Em consequência, e aliado à inabilidade da Reitoria perante entidades externas, designadamente com a tutela, a Universidade do Minho tem sido progressivamente penalizada. Porém, ao invés de se procurar fazer um rigoroso diagnóstico da situação, recorre-se a um discurso de auto-comiseração e de vitimização e penaliza-se quem não tem quaisquer responsabilidades, ou seja, docentes e funcionários. Exemplo desta atitude é o congelamento, desde meados do ano de 2005, dos concursos de progressão na carreira dos funcionários da Universidade do Minho, (o que conjugado com o congelamento da progressão por escalões, em Novembro do ano findo, por iniciativa do Governo e da escalada de aumentos de preços nos bens essenciais, traduz uma medida de acrescida injustiça). Não obstante e contraditoriamente, são profusas as nomeações para cargos dirigentes e de chefias (das quais a mais recente e caricata, face ao serviço prestado e ao desmérito de quem se perfila para o lugar, será porventura a relativa ao cargo de Director de Serviços Académicos).
Porém mais grave do que tudo o que vem dito é a quebra do compromisso assumido pela reitoria há 4 anos no sentido da revisão estatutária e na democratização da eleição do reitor. Pese embora o facto de a lei da autonomia não estabelecer limitações a uma eleição directa, nada obstava à introdução de mecanismos de alargamento do colégio eleitoral, bastando para tal rever a composição da Assembleia da Universidade, designadamente no que se refere aos membros eleitos pelos seus pares. E nada tendo feito em prol desta mudança, esta reitoria actuou de forma fraudulenta, atraiçoando toda a comunidade académica.

 
At 08/05/06, 01:06, Anonymous Anónimo said...

quem escreve isto não deve ser desta universidade ou das duas quatro, mais uma vez quer lançar suspeições ou não faz a minima ideia do que é uma Universidade Portuguesa, nem qual é o seu enquadramento juridico e funcional.

 
At 08/05/06, 01:35, Anonymous Anónimo said...

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At 08/05/06, 17:25, Anonymous Anónimo said...

Alguém do Larço do Paço ficou ferido com o comentário emitido às 00:33, mas apenas e lacónicamente, pelo que escreveu, deveria estar quieto.
Esqueceu-se que o suspeito é ele próprio?

 
At 08/05/06, 23:33, Anonymous Anónimo said...

Enquadramento juridico funcional?qual? O seu?É preciso uma grande lata.Como alguém já por aqui escreveu os cágados não sobem nas árvores, alguém os coloca lá.Cuide-se não caia.

 
At 09/05/06, 00:11, Anonymous Anónimo said...

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At 09/05/06, 14:10, Anonymous Anónimo said...

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